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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

28 de Fevereiro, 2018

De volta às origens

Monica

Já devem ter reparado que ultimamente falo muito de minimalismo. E eu também reparei e gostava de expor aqui alguns pontos, porque vejo muita gente a falar sobre isso, que realmente não aplica, e outras pessoas que gostam mas não percebem porquê. Então decidi, escrever um pouco mais sobre o meu motivo. 

 

Eu fui criada no minimalismo (sabia lá que isto tinha nome). Vivi com o meu avô (podem ver alguns episódios na tag - estórias), que foi pescador e quando a idade começou a pesar demais para ir para o mar, dedicou-se à agricultura. O meu avô era uma pessoa muito simples, muito à terra, não havia 8 nem 80, havia o que ele acreditava e eu fui criada nisso. Nunca tivemos grandes luxos, como passei a ter quando me mudei para a cidade. A casa foi construida pelo meu avô e à medida que tinhamos necessidades, a casa foi sendo alterada. A água vinha de um furo que tinha uma bomba para a puxar e posteriormente, o meu avô fez uma cisterna, que acumulava a água da chuva que usavamos para cozinhar e, quando o verão se tornava insuportável, para a rega. Compravamos pão, carne e peixe e tudo o resto vinha das árvores e da terra. Compravamos roupa quando a antiga se rasgava ou estravaga de outra maneira, e andar a pé ou de bicicleta era o transporte de eleição. A vida era simples. Tinhamos 1 rádio e 1 televisão. E tenho realmente saudades desses tempos. 

Quando mudei para a Lisboa, com 12 anos, senti-me deslocada. Não era aquele o meu mundo. E fiquei fascinada com tudo o que o mundo tinha para oferecer em termos de excessos. Tanta opção de roupa, de brinquedos, de coisas para fazer, o hipermercado era um mundo (em Lagos apenas havia pequenos supermercados, talho, padaria e praça(peixe, frutas e legumes), mas tudo separado)...

Eu nunca fui miuda de gastar em muita coisa mas às vezes sentia que se não tivesse certas coisas e nem tivesse um certo estilo que não me conseguia integrar. E essa foi a pior parte da minha vida. 

 

Quando entrei para a tropa, voltei ao meu estado "natural". As coisas eram simples, utilizava-se qualquer coisa para desenrascar...mas nessa altura eu já era dada a excessos. Achava que ter certas coisas me fazia mais "cool". E as coisas não são bem assim. Com algumas mudanças de casa, comecei a perceber que as coisas que iam ficando para trás, materiais, que não faziam assim tanta falta e voltei com os meus pés à terra. 

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Ultimamente, tenho sentido mais isso. Talvez por querer ter um estilo de vida menos preso às coisas e me fartar de dar voltas à casa e ver sempre as mesmas coisas, no mesmo lugar sem que tenham sido utilizadas há meses... 

 

O armário cápsula veio nesse seguimento. Desfazer-me de coisas que não uso e nunca mais vou usar, que só me confundem na hora de escolher a roupa e só ocupa espaço. Então decidi desprender-me de coisas e começar por casa. 

Comecei pelo armário e já comecei a pensar o que fazer aos livros e assim. Gostava de ficar com eles? Sim. Mas faz realmente falta? Não. Para efeitar? Sim. Vou lê-los outra vez? Talvez não. E estas são algumas questões que penso quando penso em desfazer de algo. 

 

No caso da roupa, decidi aprofundar a coisa. Nunca soube muito bem que "estilo" tinha. E com esta arrumação acabei por encontrar um padrão, nada especifico mas ainda assim, como sempre segui o que me diziam, apesar de não me sentir integrada, decidi fotografar todas as minhas roupas e fazer outfits. Apesar do meu armário ter sido reduzido, por vezes, não faço ideia do que fica bem com quê. E decidi criar algo para me ajudar nessa tarefa e visualizar.

 

Penso que este blog está a seguir essa direção, mas tudo isto é um caminho. O daily echo é isso mesmo: ajustar as nossas vidas para chegar à vida plena que queremos ter. 

 

Então chamamos-lhe minimalismo, podiamos chamar "voltar às origens", podiamos chamar outra coisa. Eu gosto de me sentir bem com o que tenho e é nessa direção que caminho.

Se estás nesse caminho também, conta-me a tua história.

21 de Fevereiro, 2018

Mínimo dos mínimos

Monica

Já olharam em redor e viram que tem mais do que deviam? Que quando pensam no que vos faz falta, tudo o que conseguem nomear são coisas materiais? 

Há dois natais que o meu namorado me pergunta "que queres para o natal" e nunca me ocorre nada. Não há nada que precise e se quiser algo, mesmo que não faça parte das necessidades básicas, como livros ou roupa, compro eu. 

O armário cápsula veio nesse sentido, ter tanto e não usar, ter tanto para nada, só ocupa espaço. Apesar de não vestir metade da roupa que tinha, ainda me fazia confusão de manhã, "é hoje que vou vestir isto?". Eu penso na tecnologia e toda a sua automação que veio poupar tempo para fazermos outras coisas, no entanto, temos estes pequenos detalhes que nos rouba tempo e tira-nos a atenção do que realmente interessa. 

 

O conceito "não ter mais do que se precisa" vem, exatamente, para dar mais ênfase ao que interessa e desde então tem revolucionado várias industrias. Alguns conhecem como o conceito "minimalismo".

 

Já não consigo pensar neste conceito sem ser aquilo que realmente procuro. E faço isso tendo consciência do total de coisas que tenho em casa. Não é só o armário que podemos fazer "cápsula", porque na verdade é um armário minimalista: temos o que usamos. 

 

O mesmo se passa com as restantes divisões da nossa casa e, até, da nossa vida. 3 serviços de loiça e só utilizas 1? porque? Ainda por cima cada serviço tem 12 pratos e são 2 ou 3 pessoas em casa? 

40 tupperwares de dimensões ridiculas e exageradas? E utilizamos só os tamanhos médios? Faz sentido? 

 

"Tenho uma liquidificadora em casa mas normalmente só uso a varinha mágica. Dá muito trabalho a montar, desmontar e limpar." Então qual é o objetivo?

Não sei quanto a vocês, mas a minha casa é pequena. E podia ser muito maior se houvesse menos "tralha". Coisas que estão arrumadas em armários, que não servem para nada. 30 mil canetas e 40 mil porta chaves, perdidos na gaveta do inferno, que fica lá para sempre. 

 

São estas pequenas coisas que nos fazem pensar e acabamos por perceber se temos tudo o que precisamos. 

Estou assim com tudo, e não só com a roupa. 

 

mínimo dos mínimos - daily echo

 

E daí, surge todo um turbilhão de perguntas na nossa cabeça.

 

Livros

Adoro livros. Tenho coleções em livros, das séries que gosto, dos autores que gosto e sempre tive orgulho da minha "pequena biblioteca". Ultimamente, dei por mim a olhar e a perceber que leio, mas depois ficam ali, a pairar para sempre, a ser mais uma coisa a ter de ser limpa, a chatear-me se alguém tira algum e dobra as pontas. Na verdade, para quê? Vou lê-los outra vez? possivelmente. Não vou ler? Também é possível. Vou ter de pensar numa opção para eles.

 

Recuerdos

Pessoal, recuerdos. Recordações, lembranças. Vamos a algum lado e compramos....um íman. Um lápis. Uma camisola. Um recuerdo. Se é só porque sim, porque não tiramos fotos e pomos numa parede? Ou agarramos nesses recuerdos todos e fazemos um quadro fixe? Porque é que depois fica na gaveta do demónio ou no frigorifico, que só as visitas reparam? 

Eu percebo totalmente, também tenho alguns. Mas são as mínimas coisas que fazem a diferença.

 

Tecnologia 

O computador avariou, mas durou 8 anos e vai então ficar aqui porque dei muito dinheiro para agora deitar fora, não lembrando do facto que ele está avariado. Ai, ainda tenho o meu nokia 3310....Pessoas, por favor. 

Eletrões. Aproveitar os discos do computador avariado e comprem uma caixa externa e usem como disco externo. Se tiverem habilidade, de 2 façam 1. Tirem isso de casa, a sério. Que prazer dá, ou que utilidade tem um computador/tablet/telemóvel morto??

 

 

Aproveitar a vida

Não precisam de seguir modas, ter 30 mil cremes, 40 mil roupas, se depois não vivem e ficam presos ao que tem. Cada pessoa tem coisas que são importantes para elas, e se fizerem a vossa lista, 20% são objetos. Aproveitem a vida, mantenham o que vos faz feliz e vivam ao máximo.

 

No seguimento disto, lembrei-me de uma autora japonesa (não sei o nome mas vou procurar e alterar aqui) que o método de arrumação dela é agarrar as coisas nas mãos e perguntar: "isto faz-me feliz?". A tudo. Fios, canetas, roupa, loiça... E descartar tudo o que não nos faz bem. Que nos deixa tristes, que nos traz recordações que nos deixa melancólicos...

É um bom método para começar. 

Já experimentaram algo deste género?

 

10 de Fevereiro, 2018

Chapters & Scenes - Realizado na década de 90

Monica
"Buongiorno Principessa!" -  Raras vezes uma expressão tirada de um filme italiano ficou tão conhecida nos quatro cantos do mundo. E se pronunciada de braços abertos por uma criança, a saltar de um armário com a carga de alegria que se vê no filho de Guido e Dora... é de derreter completamente.
 

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Neste capitulo de Chapters & Scenes vamos falar de algo de foi escrito/realizado na década de 90, e não podia deixar de falar de um filme que nunca me canso de ver, mesmo depois de 40.000 visualizações.

Este filme a que roubámos a memória desta cena, todos sabem, chama-se A Vida é Bela (1997), e colocou o ator, realizador e argumentista Roberto Benigni debaixo dos holofotes internacionais.
Sabemos que nem tudo serão rosas, porque a frase do início serve de advertência - "Esta é uma história simples, mas não daquelas fáceis de contar. Como numa fábula, há tristeza, há deslumbramento e felicidade." -, mas custa-nos a acreditar, tamanha é a luminosidade da primeira metade de A Vida é Bela, em traços de burlesco mudo.
 
Está-se no ano de 1938, em Itália, e Guido, judeu, e com o intuito de montar uma livraria, vê o seu desejo vedado pela burocracia fascista. A solução que tem é então trabalhar como empregado de mesa num hotel, onde se cruza diariamente com uma professora que lhe vem tomar de assalto o coração... É ela a "principessa!", Dora (curiosidade: Nicoletta Braschi, a própria mulher de Benigni), que no dia do seu casamento com um fascista, pede a Guido para a raptar. Afinal, é a ele que tem amor, e é desse amor que nasce Joshua, o menino por quem o pai é capaz de sustentar a maior das ilusões, para o proteger dos horrores do Holocausto.
 
Esta história traz-nos uma mistura de emoções: proteção, amor, raiva, saudade e, ao mesmo tempo, alegria, numa época em que surge a guerra nazi e, sendo Guido judeu, a partida para um campo de concentração torna-se inevitável, e o seu único objetivo é não permitir que o filho perca a inocência perante o evidente cenário - é preciso mascarar a realidade diante dos seus olhos.
 
Então a guerra é tratada como um jogo, tudo conta como pontuação para que o filho de Guido, se mantenha escondido e livre dos horrores da guerra. A segunda parte do filme assinala assim a verdadeira demonstração de amor, que já não tem como base o romance mas a tragédia. Benigni é aqui o palhaço da tragédia, aliás a condição, em si, de um comediante num campo daqueles é um paradoxo, e Benigni realça-o ao homenagear Charlie Chaplin, com um número reconhecível de O Grande Ditador (1940).
Os motivos que levaram Roberto Benigni a realizar este filme não foram políticos ou históricos, embora ele e o coargumentista, Vincenzo Cerami, tenham tomado a precaução de contratar consultores do Centro de Documentação Judaica de Milão e feito visionamentos para grupos de judeus italianos, antes do lançamento. A sua vontade de contar uma história de amor e humanidade num contexto extremo, só precisou dessa confirmação, por assim dizer, científica, para se lançar na exibição internacional.
E o sucesso confirmou-se em Cannes, Varsóvia, Estados Unidos e mesmo Jerusalém, onde o filme mais tarde ganhou o prémio de "Melhor Experiência Judaica", no Festival de Jerusalém.
 
A grande inspiração humana por detrás de A Vida é Bela chama-se Rubino Romeo Salmonì (1920--2011). Foi a história deste judeu italiano apanhado pelos nazis em 1943, que chamou a atenção de Benigni, através do livro Ho sconfitto Hitler (em tradução literal, Derrotei Hitler), onde relata como sobreviveu a Auschwitz.
Antes de a passar para a escrita, Rubino partilhou com crianças e adolescentes a sua experiência, mas fê-lo da forma mais otimista possível, como o livro transparece, moldando-se a um tom de certa ironia. E terá sido o espírito forte, confiante - e não esquecido do riso - deste homem que sugeriu a possibilidade de se falar de amor na mais catastrófica das situações. Não é por acaso que o título do filme, aparentemente trivial, tem também uma origem muito contextualizada, tendo sido extraído da frase com que Leon Trotsky terminou o seu testamento, escrito no México:
"A vida é bela. Que as gerações futuras a libertem de todo o mal, da opressão e da violência, e a apreciem em toda a sua glória."
Pode haver maior otimismo?
 
Aproveita e vê as histórias que as outras meninas andam a contar.
Deixa ser | A outra Mafalda | Andreia Moita | Infinito mais um | Limited Edition | Meek Sheep | Às cavalitas do vento | Uma chávena de charme | Joan of July | It's ok
 
05 de Fevereiro, 2018

Não é sorte, não é azar. Chama-se metabolismo.

Monica
Acho que já estamos sintonizados o suficiente para eu vos falar do meu interior... sim, vou falar-vos do meu metabolismo mega acelerado.
 
Desde miúda que sempre fui magrinha. Quando era mais pequena era ruim para comer mas sempre fui saudável. Até que alguém fazia algum comentário parvo e o meu avô levava-me ao médico. Nop, tudo normal. A miuda é saudável, não tem nenhum disturbio. É só magrinha. É dos genes.
Ao crescer, comecei a comer bem e até demais. Simplesmente tinha fome.
Quando vim para Lisboa, com cerca de 12 anos, entrei no desporto a sério. Fui atleta de competição e comia mais do que uma pessoa normal. Tinha sempre fome, estava sempre a comer desgalgada e cada vez que treinava perdia peso. Mandaram-me a um psicólogo para perceberem se eu escondia alguma coisa. Nop. Nada. Comia tudo e queria mais. 
 
Eu sempre fui assim, sempre tive o IMC baixo como se fosse quase desnutrida e quando havia algum stress perdia peso como um avião a cair a pique.
Ao crescer, todas as miúdas me diziam "que sorte" (ainda oiço isso!) mas eu nunca me senti bem. Porque o meu problema com os números baixos é o mesmo que o de outras pessoas com números altos. Porque não era normal, nem natural, nem me parecia com as outras miudas. Era miudinha e frágil e magrinha e leve como uma pena.
 
Na verdade, sempre fui saudável. Nunca me impus restrições, comia tudo e muito.
Quando entrei para a Força Aérea, vi-me a entrar com 50kg e a sair com menos 7kg no final da recruta. A carga fisica era imensa e o que comia (que dava para uma pessoa normal) não era suficiente. Cada vez que treinava, perdia peso.
 
E passei a não ter balança em casa. 

Há coisas que passamos a vida a matutar e precisamos de um porquê. Este é o meu. 
Fui a vários médicos que diziam "mas és saudável" mas isso não era suficiente. Não sabia lidar com o meu peso (que peso?!). 
 
Encontrei finalmente um que compreendeu a minha situação e frustação e fez-me um questionário extensivo e depois de comer coisas especificas e depois de algumas análises o veridito: Metabolismo Rápido!
 
E o que quer isto dizer?
Possivelmente é diferente de pessoa para pessoa. Para mim, funciona assim:
- Tenho sempre fome
- Faço a digestão em metade do tempo "normal".
- Preciso de comer mais das 2000 calorias recomendadas por dia.
- Se treinar, (como treino) tenho de exagerar na comida. Para não ficar com um nível muito baixo de gordura corporal e não começar a tirar aos musculos.
- Não consigo beber café se já tiver acelerada, fico com ataques de ansiedade (adoro café), então a opção é não beber de todo. Evito o café puro. Bebo misturado ou derivados como bolos e assim.
- Se comer e ficar com "aquela barrigada", como a minha digestão é rápida, dali a 1h tenho fome. Tenho mais refeições que nomes tem o Duque de Bragança. 
- Se beber álcool, ainda nem vou a meio do copo, já sinto o efeito. Também passa mais rápido.
- Fico muito quente de repente, ou muito gelada.
- Quando levo uma anestesia, ou não pega ou o efeito passa rápido. O mesmo acontece em sarar (saro rápido).
 
Na verdade, nunca cheguei a uma fase que percebesse "este é o método e resulta". Tem alturas, depende do stress, do tempo, de mim, da vida... É uma constante mudança.
 
Dito isto parece um pesadelo. Acho que a parte mais complicada, para mim, é querer concorrer a concursos públicos e ter restrições especificas como: "Se tiver 1,60 tem de ter no minimo 50kg"

50kg. Será por isto que odeio números??
 

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Na verdade, é uma luta porque a não ser que percebamos como o nosso corpo funciona, nunca chegamos a uma "solução". O peso varia e não sabemos porquê. Para adicionar a isto tudo tenho a tensão baixa e a pulsação sempre alta. 
 
Acho que a minha sorte foi sempre ter feito desporto. A minha mãe tem a mesma coisa e com esforços "aconteceu-lhe" um sopro no coração. A verdade é que o corpo está sempre acelerado e acontece tudo muito mais depressa, seja digestão ou ingestão.
 
Seja como for, não digo que tenho sorte em não engordar. Sei que quem ouve o meu problema acaba por me dizer sempre, tens sorte, quem me dera, mas o facto é que incomoda-me também e tenho de adaptar uma dieta que inclua o dobro do normal para ser "normal". 

Uma das coisas que me chateia é que não posso ser dadora. Não posso dar sangue nem medula osséa porque alguém decidiu que só com certo peso é que é saudável. E isso chateia-me à brava. Porque sou saudável e por ter o metabolismo acelerado forneço mais sangue. Bombeia mais e mais depressa. 
Mas aos olhos da medicina, não posso. Porque alguém inventou um índice de "saudável". Novidade? Esse índice deve servir a 50% da população, senão menos. Acho que é bom termos uma medida para nos guiarmos mas não fazer disso lei. Posso ter 50Kg e ser mais forte, mais rápida e mais saudável que alguém com mais 10kg que eu. E eu estar abaixo do tal IMC. 
 
Tudo isto para lembrar que números não significam nada, mas significam. 
Mas acho que não nos devemos comparar em números mas sim em que ponto queremos estar. Essa foi um dos pensamentos que sempre me impus. Nem sempre funciona mas houve uma altura em que se o meu objetivo seria ser saudável, praticar desporto e ter resultados visiveis, então ia a isso.
 
Agora é isso tudo na mesma mas com um número mais perto do "normal". Se conseguir, aviso-vos.
04 de Fevereiro, 2018

Armário cápsula

Monica

Já aqui tinha falado de armário cápsula mas nunca vos tinha mostrado/contado, como se faz.

Ontem deu-me uma travadinha (este fim de semana foi cheio de travadinhas) e decidi minimizar o meu armário. E à medida que pus fora do armário tudo o que tinha, acabei por perceber o que realmente visto, o que não visto e comecei este meu desafio, que na verdade é mais fácil do que parece.

Vou dizer-vos como fiz o meu armário cápsula (na verdade, continua enorme), mas antes vou dizer-vos o porquê.

 

Não é apenas uma moda, uma trend, uma "pancada". É um estilo de vida. Estilo esse que ando a tentar adotar há algum tempo: ter menos e viver mais. 

Isto faz parte do "não ter coisas desnecessárias" e "não gastar dinheiro só porque sim". Vivemos na época do consumismo e apercebi-me que estava dentro disso quando vestia uma farda e continuava a comprar roupa que não usava - e que dei com algumas peças ainda com etiqueta.

Eu nunca tive um estilo (de moda) certo. Gostava e comprava e dei com coisas no meu armário ainda com etiqueta, porque comprei e afinal percebi que não se adequava ao que tinha, ou foi ficando ali parado até não gostar mais, nem me rever naquela peça. 

Uma coisa que percebi é que não são as coisas que nos fazem felizes. E comecei a destralhar a minha vida de todas as formas. Quando vi o conceito do armário cápsula, para mim fazia todo o sentido mas eu ainda não sabia que estilo de roupa gostava ou que cores usava mais ou até o que tinha. Depois de por essa ideia na cabeça durante algum tempo, de ver algumas pessoas a fazê-lo, aprender algumas dicas, decidi por as mãos à obra (ontem, portanto).


O meu objetivo é não comprar mais, ou se comprar, comprar com consciência e necessidade. Depois de toda a seleção fiquei com imensa roupa ainda e se comprar será porque aquela peça vai substituir outra. Já parei de comprar há algum tempo, as coisas que comprei recentemente foi porque precisavam de ser substituidas (como roupa interior e algumas camisolas), ou como no natal recebi roupa e fui trocar pelos cartões oferta, fiz alguma seleção para perceber o que posso comprar com esses cartões (a validade é de 3 anos, por isso tranquilo!).

Então... 

 

Selecionar o que usamos

A primeira coisa que fiz foi separar a roupa de verão e de inverno. Apesar de usar muita coisa de verão, no inverno, não uso a de inverno no verão (tirando casacos) mas acabei por separar a roupa de inverno por:
Camisolas grossas
Camisolas de malha
Vestidos de inverno
Casacos de inverno
Camisolas mais fininhas (incluí nas de inverno)

E as roupas de verão em:

Tshirts
Tops
Vestidos de alças

 

Eu prefiro ter camadas, a ter roupa mais pesada, por isso se vier neve não estou preparada (tenho um edredão!) então uso T-shirts até de inverno, mesmo que com 1 casaco mais fino e o casacão por cima.

Cada um faz o seu armário conforme essas próprias manias, não existem regras, a não ser usar tudo o que está no armário.

 

Separar por cores

Por cada estação, arrumei a roupa por cores. E fiquei surpreendida com o resultado. Achava que não usava vermelhos e afinal é uma das cores mais abundantes do meu armário. Pensava que era uma pessoa de verdes mas afinal, só de inverno. Acabei por perceber os estilos e o que realmente gosto. 

Depois de ter tudo separado por cores, decidi retirar de cada cor, o que não usava há mais de 1 ano ou que nunca usei mesmo. 

E acabei com essa palete de cores de inverno:

Armário-capsula-dailyecho-inverno

 

E esta de verão:

armário-capsula-dailyecho-verão 

 

Tudo o que sei que não uso há muito tempo, foi dado. E neste momento, percebi que algumas coisas costumam ficar porque foi a avó que deu/ o namorado/ a prima/ a tia... Mas se não usamos qual é o objetivo de manter aquilo ali?

 

Calças

Roupa que também já está a ficar gasta, também dei. Quanto às calças, apenas sairam umas que não me servem mais. Tenho calças coloridas (azuis escuras, verde seco e rosa) que dão com a maioria das cores que tenho e depois tenho as clássicas de ganga escura que também dão. Por isso, não houve seleção nas calças. Futuramente, irei tentar não ter tanta dispersão de cores e materiais mais diversificados.

 

Vestidos/saias

Juntamente com a roupa que não uso, retirei vestidos. Mas eu sempre fui meio maria-rapaz, por isso nunca comprei vestidos ou saias que não usasse mesmo. Os que ficaram são os que uso mesmo, e são de cores básicas como azul escuro ou preto. As saias ficaram as "boas", as mais usadas e que não uso, tiveram seleção também. 

 

Não sei o que calçar

Sempre tive este problema, "não sei o que calçar". Enquanto toda a população feminina luta com o "não tenho o que vestir no meu armário". Eu gosto de andar confortável e os sapatos que sempre gostei sempre me magoavam ou eram incomodos ou depois não gostava de ver a combinação roupa que vestia/calçado, então voltava sempre aos meus fiéis ténis. Devo ter 30.000 pares (ehh exagero!) de ténis, de variadas espécies. E posso dizer-vos que não uso todos. O próximo passo é fazer uma seleção do calçado também, agora que "já sei o que vestir".

 

 

Mas calma, isto não acaba aqui. nas minhas prateleiras, agora arrumadas por cores, há um espaço propositado para colocar as camisolas que vou vestindo. As que volto a arrumar, vão para esse espaço, para eu perceber se as que escolhi como "as que uso", se realmente as uso. E a partir daí tenho a certeza que vou rentabilizar mais o dinheiro e o espaço - Não queiram acreditar a quantidade de espaço que o meu armário tem agora.

 

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