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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

24 de Maio, 2018

Tartaruga, o melhor animal à face da Terra

Monica

Nunca fui miuda de um amor sólido. Amor daqueles que é sempre fugaz ou sempre carente. 

Sou imprevisivel como o vento, ora sopra mais forte ora acalma como uma brisa. E assim vivo os amores. Alguns aguentaram, outros quebraram. Outros quebrei eu. 

 

Ninguém esquece aquele amor. Aquele amor que nos ensina o que queremos ser enquanto pessoa, aquele amor que nos ensina como gostamos de nós - sem medos de fugas e de calar.

 

Vivi um amor intenso. Amor esse que me mostrou que por vezes temos de decidir se gostamos mais de nós ou do amor que esperariamos viver. Amor esse que me mostrou o amor que tenho por mim. Amor esse que me fez partir o meu próprio coração e dizer "chega!" quando chegou a altura de escolher entre vergar e esperar por melhores dias ou quebrar-me em pedaços e amar-me.

E eu quebrei-me e escolhi ficar comigo. 

 

Posso dizer que na matéria do amor, sempre me quebrei antes que me quebrassem: esse amor que levou tudo de mim e deixou uma espécie de fosso para sair sozinha e saber de quão fundo poderia uma pessoa estar e poderia uma pessoa sair.

E aquele amor que esqueci quando achei que não estava de acordo com a sociedade.

Este amor que me faz contar quantos anos ele teria hoje, faz-me cheirar chouriço frito e voltar a ser criança, faz-me pensar quando faço uma escolha, no orgulho que ele teria, porque tudo o que sou hoje devo a ele. 

 

Hoje é dia mundial da tartaruga. E é mais um dia que é o dia dele.

 

Lembro-me há muito tempo atrás, quando me levaste num barco para o meio das grutas, - tremia por todos os lados, por causa do vento frio e do medo de cair à água limpida sem saber nadar -  querias mostrar-me algo e ali tudo mudou: uma tartaruga enorme estava num pedaço de areia, em praia mar, dentro de uma gruta.

Como se fosse hoje: "Tartaruga, o melhor animal à face da Terra. Pacificas, equilibradas, devotas e vivem mais de cem anos. Acredito que são almas velhas que não encontram corpos adequados. Acredito que almas velhas se reconhecem. Acredito que também sejas uma. Acredito que se não houver ninguém com um carácter forte que aguente uma alma velha, que serei uma tartaruga."

E assim te tornaste uma.

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Em mim, ainda és bebé para que vivas mais cem anos. 

 

Queria que estivesses aqui para veres que não vergo. Que prefiro quebrar-me quando as coisas não estão certas, voltar a sarar e ficar mais forte. Queria que estivesses comigo para te apresentar uma outrra alma velha: um amor que surgiu de mudanças, um amor que não é fugaz nem carente mas tudo ao mesmo tempo, dependendo da tempestade. Um amor que compreende, incentiva e que me conhece: sabe os meus demónios e desafia-me todos os dias a ficar. Para além de alma velha, tornou-me também uma alma livre ainda que entrelaçada nele. E era neste momento que gostava que estivesses aqui. Para conheceres esta alma que deixa a minha pasmada, porque não assenta, não se conforma, não se cala e não se verga. Como nós.

 

Aos amores, sejam eles de que tipo forem. Às tartarugas, que são os melhores animais à face da Terra e a nós, avô, almas velhas mas incansáveis. 

23 de Maio, 2018

Eu vi, vim e venci

Monica

Quando consegues o que queres... ainda queres o que conseguiste?

 

Veni, vidi, vici...Eu vi, vim e venci. Esta frase está tatuada acima do meu joelho esquerdo.

Joelho esse que sofreu lesões e não me deixou continuar a ser atleta de alta competição. Joelho esse que se magoou de novo, foi abaixo, que me impedia muitas vezes de correr mas aguentou-se para conseguir completar as caminhadas, a marcor, a semana de campo, as pistas de obstáculos. Joelho este que bastou estar quieta a dar vozes ao pelotão para ir abaixo, e deixar toda a gente em ombro arma, porque tinha de estar de pé para por o pessoal a descansar. Joelho este que me deu dores. Mas as dores eram mais fracas que a motivação de terminar a recruta e jurar Bandeira. Este joelho foi de arrasto quando tive de subir 3 andares num treino de incêndios. Latejou quando carregava na embraiagem e queria por mudanças no meu querido camião IVECO, mais velho que eu. Sempre lhe prometi descanso depois, mas o que não sabia é que cada dia era mais dificil de suportar. Quando tudo abrandou, eu fechei os olhos e soube que estava onde tinha de estar. Eu vi, vim e venci. 

 

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Quando deixei o meu mundo - é mesmo assim que me sinto, longe do meu mundo - estava revoltada. Uma nova página vinha ai, uma página que tinha escolhido à força, mas ainda assim fui eu que escolhi. Uma página que tive sorte. Vi e cheguei lá outra vez. E isso não pára de me surpreender. A maneira como a motivação e o querer humano tem um poder sobre o acontecer. 

 

Venci de novo. Venci mas... não estou no meu mundo. Quando consegues o que queres, ainda queres o que conseguiste?

 

Quero voltar ao meu mundo. Quero a minha maior conquista. Quero estar na linha da frente. Para mim vencer, é continuar a dar voz à promessa que fiz. Às frases que proclamei no dia 24 de julho de 2009. Ao juramento que fiz ao Estandarte, à Bandeira, ao Presidente, a mim mesma e ao meu joelho. Estavamos onde queriamos estar. Lutamos e aguentamos coisas que não conseguiamos. Se ainda queremos isso? Queremos pois. 

Mas e a outra página? 

A outra página é outra vida que não tenho tempo agora. É o que deu motivação para voltar: fazer algo que também gosto mas perceber que conseguimos ser infelizes senão estivermos no sitio certo. Don't get me wrong!! Adoro o que faço! Mas o meu espirito altruista não me deixa manter fora da minha promessa, não me deixa parar de ter civismo, de querer impor a lei, de querer fazer as coisas by the book.

Este meu espirito altruista ainda vai ser a minha morte... mas se morrer a cumprir a minha promessa, com as minhas asas ao peito... morro feliz!