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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

29 de Junho, 2018

Parar e respirar

Monica
Não sei quando comecei a comprometer-me com coisas. Com promessas próprias, com a minha palavra e pensamentos e não sei quando terminar aquilo que definia para mim, se tornou tão importante. 
Sempre achei que podia ser mais. Mais do que os ascendentes, ter mais do que eles poderiam oferecer, ser mais do que eles alguma vez foram, fazer a diferença, preencher vazios incompreensíveis, levantar-me e fazer por mim. Não me lembro quando me tornei tão obcecada em ser melhor. Em ser maior. Em desafiar-me e ter orgulho em mim. Talvez porque nunca tive as mesmas oportunidades mas conseguia estar lá na mesma. Talvez porque a realização sempre me satisfez e sempre foi um sentimento que foi pedindo mais e mais. Não sei quando aconteceu, pensar que desistir não era para mim, que podia passar por stress e terminar as coisas, que podia carregar o mundo nos ombros mas que no final iria estar onde queria. Não sei quem me pôs na cabeça que não dá para respirar, que não faz mal parar e olhar em volta. Não sei onde fui buscar a ideia que só posso sair debaixo de água quando a tarefa chega ao fim, quando objetivo é cumprido e realizado, quando fizer check na lista. 
 
Aprendi sozinha que devia ter fiel a mim mesma, às minhas promessas, aprendi sozinha que devia sempre apontar para o degrau a seguir, aprendi sozinha que conseguia ser mais, que desafiar-me era sempre uma coisa boa, aprendi sozinha que gostava de estar no topo, que era uma sensação que queria na minha vida. 
 
Mas entretanto olhei e vi-me debaixo de água e decidi não subir enquanto não fizesse o que estava lá para fazer, decidi aguentar a pressão, desafiar-me ainda mais e aprendi que não consigo aguentar debaixo de água sem respirar. 
 
Vi-me aflita sem ar, senti a água na minha cara, a pressão a pressionar o meu corpo, vi o cansaço a tomar conta de mim, até que alguém me esticou a mão e disse "respira". E respirei.
 
Senti de novo o ar nos pulmões. Soube que não faz mal aceitar um desafio, soube que não faz mal querer estar no patamar acima mas soube, principalmente, que se precisar de descansar num degrau para subir ao próximo, que não há problema, que não estou a falhar-me, a falhar com os outros. 
 
Aprendi que parar para recuperar o fôlego e continuar apenas quando estiver preparada não é desistir. 
 
Aprendi que tenho de parar antes de bater no fundo. Que por vezes existe uma cadeira a meio para descansar e posso retomar quando quiser. Aprendi o que é estar à beira de uma depressão e perceber quando é altura de pedir ajuda. Aprendi, principalmente, a pedir ajuda. E isso não é dar parte fraca. Aprendi mais limites meus e aprendi que parar não é desistir.
 

 

13 de Junho, 2018

1 + 3 | 13 qualidades

Monica

"Qual são as tuas melhores qualidades?"

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Quando vi este tema só me lembrei desta pergunta, tão utilizada em entrevistas e que, para mim, nada quer dizer. Acredito que uma pessoa conhece outra pelo convívio e com o passar do tempo: posso estar muito bem, alegre e contente, num dia e no outro não. 

À conversa com uma colega de RH, sobre esse tipo de perguntas caracteristico em entrevistas, ela acabou por me dizer que é apenas para terem a noção como as próprias pessoas se vêem: positivas? empenhadas? 

Por um lado, até faz sentido, mas por outro, se a decisão de vencer um desafio está na minha resposta a essa pergunta, claro que vou florear. Mas... não é isso que vamos fazer hoje. 

 

Ainda no desafio de 1 + 3, sendo este para descrever 13 qualidades (eish, tantas?...) vou descrever-me como me vejo. Nem todas as pessoas tem a mesma interpretação; o que é bom para mim, não é bom para os outros, mas cá vai:

 

1. Persistente: sim, bastante. Se quero algo, vou atrás. Não descanso. Sou a tipica teimosa. Se acho que algo está mal, sou a chata de serviço. 

 

2. Despachada: sou o que chamo de despachada! Faço o que tenho a fazer e pronto. Para mim, missão dada é missão cumprida. 

 

3. Penso em mim primeiro: sim, considero uma qualidade. Considero uma qualidade cuidar de mim. Se me pedem um favor, eu tento ajudar da melhor maneira que conseguir, se não me prejudicar, senão for contra o que acredito. Isso incluir fazer algo que as pessoas tem sempre medo: dizer que não!

 

4. Positiva: sou extremamente positiva. Acredito que as coisas boas acontecem se pensarmos que irá acontecer. Vejo as coisas boas e, para mim, era abolida aquela expressão do "podia ser pior..." .

 

5. Desinteressada: sou completamente desinteressada nas coisas que se passam à minha volta. Para não ser mal interpretada, passo a explicar: acaba de acontecer um acidente à minha frente, eu sou a pessoa que pára e vai ajudar. Mas se passo por um acidente que já está tudo controlado, com bombeiros/policia, eu não sou daquelas pessoas que vão lá meter o bedelho quando já há ajuda. 

 

6. Auxiliar: sim, se vejo alguém em aflição, ajudo. Se prevejo que alguém está mal seguro no metro e que vai haver uma travagem mais brusca, eu sou a pessoa que está atenta a isso. Eu sou a pessoa que apanha bonecos que os putos perdem e os pais nem notam. Sim, sou dessas.

 

7. Sempre em serviço: estou sempre de serviço! Mesmo neste mundo civil, estou sempre a cumprir a lei e fico danada quando não o fazem, sendo capaz de puxar da lei e ditar ali um artigo ou 2 para repreender o civismo das pessoas (eu considero isso uma qualidade!...) - tenho a mania que consigo mudar o mundo!

 

8. Curiosa: bastante! Estou em vários grupos, não só por causa do armário cápsula mas também de desperdício zero e ambiente e sou a pessoa que vê todos as publicações e absorve as dicas de toda a gente. Google is my best friend!

 

9. Opinativa: okay, não sei se é assim tão bom. Quando vejo que algo pode ser melhorado, eu meto o nariz. Tens um site novo? Eu vou lá ver se tens erros e dar-te dicas como podes melhorar. Estás à rasca das costas? Eu enfio-te uns exercicios de pilates debaixo do nariz para os fazeres. Espirraste? Vou dar-te um casaquinho. (isto é cansativo está bem!)

 

10. Rir: Estou sempre a gozar com tudo. Sou bastante sarcástica e riu-me com tudo. Riu-me com a minha parvoíce. Ainda não consegui fazer vídeos para o Instagram porque farto-me de rir da minha figura.

 

11. Cara expressiva: pronto! Eu acho que é um defeito meu. Tenho andado a treinar para deixar de ter uma cara tão expressiva mas às vezes não dá. Se me dizem algo que acho um completo absurdo, faço uma cara. Se alguém faz algo parvo mas nem me atrevo a dizer algo, faço uma cara. Às vezes não sei bem que tipo de caras são mas o rapaz cá de casa diz-me muitas vezes "opah, gostava de ter tirado uma fotografia à tua cara", mas ele diz que é uma coisa boa, e eu até acredito nele, então bota nas qualidades. 

 

12. Não sou influenciável: já me deixei disso. Se acho que algo está mal e querem seguir aquele caminho, eu não vou atrás. Já não sigo caminhos porque não quero solidão; pelo contrário, aprendi a estar sozinha e adoro estar sozinha!

 

13. Estou a aprender a conhecer-me: e acho que todos deviamos dar um passo atrás e a aprender a conhecer-se. Em algumas situações, retiro a minha mente, observo de trás e reflito: o que está de mal aqui? Como deverias reagir? Qual é a maneira certa de lidar com isto? E acabo por me conhecer e a corrigir ações que, noutra altura, seria impulsiva e agiria de outra maneira.

 

Ufa. Nem eu sabia que tinha tanta coisa boa a dizer de mim.

 

[Este texto está inserido no desafio 1 + 3 da Carolina. ]

10 de Junho, 2018

1 + 3 | Uma peça de roupa

Monica

Adoro desafios. Acho sempre acabo por descobrir algo sobre mim que não sabia, acabo por pensar em algo que, normalmente, não pensaria, nem sequer dava importância. 

Então a Carolina, do Thirteen, lançou um desafio que achei que era capaz de fazer. O desafio 1+3 consiste, de uma forma resumida, em vários temas, completamente aleatórios, que nos vão permitir reflectir sobre amor-próprio e auto-conhecimento e, acima de tudo, sobre nós próprios. 

 

Quando recebi os temas e qual é o meu espanto e vejo este: uma peça de roupa! 

 

Ora, a minha missão com o armário cápsula é mesmo saber mais sobre mim, sobre o que gosto, desafiar-me com algo que nunca me fascinou: a roupa!

Usar as minhas peças preferidas, ter coisas com mais qualidade e evitar o desperdício têxtil. Por ir sempre por um caminho de influências, vi que comprava coisas que não tinham nada a ver comigo e acabava por gastar dinheiro em vão. 

Mas este desafio da Carolina, levou-me ainda mais longe...qual é a minha peça preferida?

 

Sou apologista que todas as peças que temos no armário são nossas preferidas, pois temos uma história com ela, vivemos momentos bons e menos bons, aprendemos...não é apenas uma peça de roupa... mas no meio deste meu armário, existe mesmo uma preferida? 

Quando comecei a fazer o armário cápsula, as roupas que ficaram eu tenho uma história com elas. Cada uma tem um lugar especial associado a elas, uma pessoa associada, um momento, enfim, uma quantidade de sentimentos que associamos a uma aliança, a uma pulseira, a um peluche... eu associo 
às roupas.

 

Fui investigar e acabei por descobrir: um vestido que o namorado me deu que foi amor à primeira vista (com o vestido, claro!), uso para qualquer ocasião e, naqueles dias que precisamos de algo que nos conforte, é a este vestido que recorro.

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 Tal como naqueles dias que não queremos ver ninguém, queremos apenas ver a nossa série de conforto, comer aquela comida que liga com o nosso estado de espirito, este vestido é para mim a minha roupa de conforto.

 

Quem está por aqui há algum tempo sabe que nunca tive uma relação fácil com a roupa; saí do meu ambiente e achava que por ter certas roupas que me aceitariam. Mas não era eu, quando saia da escola era como uma atriz que regressa a casa depois de interpretar um papel. Nunca pensei que a roupa tivesse tanto impacto na minha vida; nunca liguei a modas, a desfiles, mas como qualquer miuda, adorava ter coisas novas.

 

Na verdade, de todas as vezes que destralhei o meu armário, este vestido nunca saiu, nunca o reconsiderei e está sempre incluido no verão/inverno. Quando ele me pergunta qual a roupa que ele já me deu que eu gosto mais, vou apontar sempre para este vestido.

 

Na verdade, não é só apenas quando nos desafiam que devemos pensar e descobrir emoções associadas a coisas. As nossas fotos de infância traz-nos lembranças boas, o cheiro da comida da avó, o cheiro especifico a algo que este sempre presente na nossa vida, então porque não criamos essas mesmas memórias com a nossa roupa?

 

Estou entusiasmada com o próximo desafio. 

(Entretanto aproveito para vos informar que o Chapter&Scenes, não está esquecido.