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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

21 de Julho, 2018

Voltei à realidade

Monica

Quem me vê de fora pensa que sou super organizada - organizo as minhas notas no evernote, tenho caderninhos com todo o tipo de informação - mas a verdade é que sinto que sou muito desorganizada, não sei se porque nunca estou satisfeita como as coisas estão ou como faço as coisas ou se pelo turbilhão de ideias que passam na minha cabeça ao minuto. 

Uma coisa é certa: não sei estar quieta, não sei parar e estou sempre a fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Não sei se é bom, mas sempre me conheci ser de extremos: ou super acelerada ou super preguiçosa. Mas vá, tenho reparado e tentado arranjar um equilbrio e nem sempre é fácil. 

 

Não consigo estar quieta

Ainda agora revi as minhas cores já fiz outro destralhe. Já retirei de vez o que realmente não uso, o que pus na cabeça "ah, deixa estar para ver se usas", já acabei com essas coisas. E no meio disto, voltei a mudar o meu sistema do armário novamente. 
Vamos lá por partes: eu acho que vou estar sempre a mexer, remexer e a mudar coisas. Porque gosto de mudar, porque me ocupa a mente, porque sei lá, faz parte de mim! 

 

Não sei se já vos contei isto, mas antes de seguir em frente para fazer o meu armário cápsula, eu pesquisei muito, segui montes de pessoas que já o faziam, arranjei inspiração, compreendi alguns conceitos e, apesar de ainda fazer isso tudo, não sabia que podia servir de inspiração para alguém. Comecei o daily echo por causa das minhas jornadas de mudança, porque queria deitar histórias para fora sobre o meu velho marinheiro, porque queria simplesmente libertar. E entretanto, isto tornou-se um espaço que gosto de ir mantendo atualizado, se realmente sou inspiração como as pessoas me dizem, que seja para o positivo, para mudanças boas, para saberem que existe sempre algo pelo que lutar. Vamos desfazer-nos das tristezas, vamos saber que mais ninguém vê o mundo pelos nossos olhos e cada um é como é. Nem gémeos são iguais. 

Bem, adiante...

 

Voltando à inspiração, algumas pessoas fora de Portugal seguem-me e dão-me feedback sobre as minhas fotos, quem não percebe português pergunta-me o que diz a minha descrição dos posts, enfim... conversamos muito. Uma delas, que sigo religiosamente porque me identifico, porque acho que a miuda/moça/rapariga/mulher é totalmente autêntica no que diz, pediu-me para fazer um tour ao meu armário...

 

Um tour... um closet tour...

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Neste momento tenho a casa de pantanas e o quarto onde está o armário (acabamos de arranjar um espaço para o por lá - festa) está apenas com espaço suficiente para ir ao armário buscar coisas e pronto. O quarto está escuro, a luz ainda não é das melhores, uma confusão. Tentei, por momentos, fazer algo agradável mas não deu, o video ficou horrivel, o meu inglês não é dos melhores... então, pensei em fazer um tour através de fotos que ficará para a eternidade nos highlights do instagram - ainda estou a formatar isso.

 

De volta das cores

Voltando às cores, reparei que o sistema anterior de 2 armários + 1 meio à parte, não funcionava. Mas pessoal, vale testar, vale aprender, vale pesquisar, vale tudo! Até vale errar. Podem fazer e perceber que afinal não era para vocês. Já não tenho medo de errar, ao menos sei porque deu certo de outra maneira, e o que digo às minhas clientes sobre o armário é: tens de perceber o que não gostas para perceberes o que gostas. 

 

Então, porque não funcionou? Eu tinha o armário por estações: verão de um lado e inverno do outro, e dentro de cada um estavam apenas separados por cores. Funciona com o projeto 333 porque são poucas peças (já que inclui sapatos e acessórios) mas não funciona como um armário em geral porque eu via muito preto junto e muito pouco de outras cores. Significa que via a cor que menos gosto de usar em predominância. Então inverti o sentido das coisas e separei por tipo: tops, blusas, camisas, vestidos... e o armário ficou mais harmonioso.

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E mais fácil de perceber o que tenho também, conforme vou à procura do que quero.

No meio disto, decidi contar as peças que tinha, não que tenha um objetivo de números em mente mas só porque sim. Considerei mid-season todas as peças que sei que uso realmente tanto de verão ou inverno.

Verão (37 peças): 8 tops; 12 tshirts; 6 vestidos; 4 camisas; 5 calças; 2 calções; 2 sandálias rasas; 1 sandálias de salto; 1 par chinelos.

Inverno (31 peças): 3 casacões (tipo parka ou canadiana); 3 camisas; 10 camisolões; 10 camisolas finas; 5 vestidos; 3 calças; 2 botins; 2 botas rasas.

Mid season (14 peças): 1 blazes; 2 jaquetas (tipo couro); 2 calças; 1 saia; 5 casacos finos; 3 pares ténis, 1 oxford. 

82 peças ao total! Sem contar com calçado! Tinha aqui no meu caderninho (lá está a organization freak) que antes de destralhar tinha mais de 200. A minha vizinha mini (a miuda tem 8 anos e a minha roupa serve-lhe - sem comentários!) anda toda contente com roupa nova: já lhe expliquei o conceito e fiquei extremamente orgulhosa com a resposta dela: "deixa-me agora aproveitar a tua roupa, quando parar de crescer vou fazer isso, mas agora não faz sentido" - faz realmente ter esperança nos mais novos não é? A miuda que convence a avó a não usar plástico!! (vamos fazer aquele sinal de coração com os dedos que na verdade parece uma batata)! 

Então e o projeto 333?

O projeto continua, ainda que aconteceram alguns acidentes: escolhi 2 pares de ténis, uns oxford e umas sandálias - não sei como fiz mas os allstar, aquela parte de borracha, onde dobramos o pé, abriu e foi até à sola (desconfio que foi no concerto dos Kiss - LOL). Os ténis brancos rasgaram em cima. Houve uns dias de chuva no inicio de junho (e julho! que raio?...) e eram os mais "impermeáveis" e usei-os muito... o que acho que aconteceu foi que como não secavam bem e eu continuava a massacrá-los, acabaram por rasgar... Sei que não existem substituições durante o projeto 333, mas teve de ser: entraram em campo uns iguais aos brancos que tenho em vermelho e outros de sola mais grossa em nude? creme? castanho claro? (escolham uma cor)!

Quebrou-me por completo. Por esta altura também aprendi outra coisa: ficar longe de projeto longos ou que exijam quebrar regras caso aconteça algo, como foi o caso. 

 

Tecnicamente, continuo e acabarei o projeto em agosto, mas não sinto que ainda o esteja a fazer. Pelo lado positivo, não precisei de comprar calçado para substituir, não precisei de gastar dinheiro, comprar às pressas e mal porque fazia falta, então ainda assim, acho que foi uma pequena vitória para mim.

 

A próxima missão será reformular roupas, alterá-las (ainda não sei como) e dar-lhes um toque diferente. Vamos ver se não é preferivel estar quieta.

06 de Julho, 2018

Marie is losting the plot

Monica

Quando decidi construir este meu canto, era para estar sossegada. Mas as coisas foram evoluindo, eu percebi que não podia estar sempre sozinha e, hoje, percebo que existe aqui uma comunidade brutal a ser explorada.

Uma pessoa acha que está sempre sozinha no mundo. Sou daquelas pessoas isoladas que observa muito como se fosse um mirone, mas não se junta a ninguém, que vê um perfil, lê uns comentários, vai ver quem foi aquela pessoa que comentou algo engraçado e acaba por encontrar sempre algo com que se identifica. Pois é, foi assim que segui, não sei bem como, e fui parar à Marie is losting the plot

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Só vou digo que me identifiquei à primeira, ri muito e no final, saí do meu canto e tive de comentar.

Então descobri que há mais cantos a explorar, mais pessoas para observar e procurar pontos que me identificam com elas. Não estou sozinha, é bom que estejam desse lado e obrigada Marie (não faço a minima se é esse o teu nome) por seres assim - e por teres uma imagem da Sara Herranz como foto de perfil - sinto que encontrei uma irmã gémea.

 

 

03 de Julho, 2018

Calado, certo e seguro

Monica
Isto talvez seja uma carta de amor. Ou talvez não. Não sei muito bem o que define uma carta de amor.
 
Não me lembro quando te vi a primeira vez. Não me lembro das nossas primeiras palavras, de quando me fizeste sorrir pela primeira vez, mas lembro-me quando me apercebi que eras uma presença necessária na minha vida. Lembro-me apenas que me sentia bem com a tua presença. Faço alguma comparação entre ti e o primeiro homem da minha vida, o meu avô - ambos calados, ambos certos e ambos seguros. 
 
Posso não me lembrar de muitas coisas, com esta minha mente cheia de vento e despistada mas lembro-me quando senti que queria partir e não ia ter a tua presença. Lembro-me quando fingia que não era nada e alguém brilhou os olhos quando te viu e senti-me pequenina. Lembro-me da tua presença e ficarmos horas a olhar o mar em silêncio e sentir a falta que o meu avô me fazia - o que aquele silêncio carinhoso e compreensivo eram para mim - certo e seguro - e lembro-me que queria aquele silêncio contigo.
Lembro-me de quantas vezes a saudade me invadiu e quis ir embora. Lembro-me de outras tantas que disseste que ias comigo, e olhei para ti como se fosses louco - certo e seguro, mas louco.
 
É curioso como a mente nos prega partidas: lembro-me de todos momentos em que quis deitar tudo ao alto e partir, mas não me lembro quando te sentaste ao meu lado e ficaste. Não me lembro quando decidi ficar e parar de querer ir embora porque a minha alma inquieta farta-se dos lugares que não são meus, mas sei que onde estiveres vou conseguir ver em qualquer escuridão. 
 

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Não me lembro de confiar em alguém como confio em ti. Não me lembro de passar tanta coisa com alguém como passei contigo e ainda assim, continuar a não ter medo de ficar. Lembro-me quando te contei a minha escuridão e tu ficaste, dando uma luz que não me lembrava que tinha. 
 
Sei que afundo e que me isolo. Sei que consigo ser demasiado calada e ainda assim, certa e segura. Sei que só quero mostrar-te as coisas boas mas também sei que esticas a mão quando vês a luz a fugir de mim. Sei que por vezes não te quero arrastar para o abismo que estou a cair e tu deixas-me lá à ponta à espera que eu me safe sozinha, tal como faço sempre. No meio disto, deixas que me desenrasque sozinha, tal como consigo, e senão conseguir, dás-me a mão e lembras-me que não preciso de estar sozinha - que mesmo calado, estás atento e és certo e seguro. 
Não me lembro quando passaste para dentro da minha bolha, sem palavras e apenas com a tua presença. Mas parece que amo essas pessoas. Caladas, certas e seguras.
 
Há dias insuportáveis. Há dias que sinto a falta daquele velho marinheiro e, nesses dias, sinto a tua mão e a brisa do mar e silêncio. Porque mesmo no silêncio, és certo e estou segura.