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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

28 de Fevereiro, 2019

Desplastificar mitos

Monica

Ainda me lembro, quase noutra vida, quando ia à praça, na bicicleta levava uma caixa de plástico presa com uma corda, atrás do assento. De volta a casa, embrulhava o pão num saco de pano, colocava o peixe num saco plástico, passava pelo Helder dos bolos e comia uma cornucópia cheia de creme para me dar forças para pedalar os restantes 10 minutos até casa. 

Utilizávamos os pacotes de leite para congelar o polvo, os frascos de mel para encher de novo e os garrafões de plástico para ir buscar mais água à fonte de Monchique. Os sacos que trazia o peixe eram reutilizados para o lixo. Reutilizávamos os baldes da tinta para arrumação no armazém, para colocar batatas ou arrumar as enxadas. 

Usávamos a mesma escova de dentes durante o tempo que as cerdas ainda estivessem boas. Fervíamos as ditas de 6 em 6 meses, juntamente com o pente do cabelo. Quando não davam para mais, espetavamos nos vasos, para saber os que já estavam plantados ou não. 

As meias que a vizinha me ofereceu no natal, que costurou umas iguais para o neto dela, tinham um buraco e "dávamos um ponto".

 

Mexiamos o café com uma colher de metal e quando pedíamos um copo de água era nos dado um de vidro. Tínhamos pratos de cerâmica para os gatos comerem e tijelas lascadas para beberem água. Usávamos vasos de cerâmica que a Ti Maria nos tinha dado, porque duravam muito mais ao sol e aprendíamos a beber do copo assim que conseguiamos agarrar nele. 

 

Esta descrição fazia parte da minha vida há 20 anos atrás.

 

Vejo muitas pessoas contentes com a substítuição de plástico por outros materiais, principalmente papel. 

Mas...podemos ver os factos?

Anualmente, são produzidas 381 milhões de toneladas de plástico. Vestimos casacos de polímero sintético que nos matêm aquecidos no inverno, utilizamos embalagens para conservar alimentos e recorremos a tudo o que é eletrónico (e quanto mais leve, melhor). É a era do plástico, mas também da poluição por ele causada. 

O lixo plástico está presente nas cidades, nos oceanos, contaminando o solo, o ar, a água doce e salgada, levando à morte milhões de animais a cada ano.

 

O uso e gestão deste material como um substituto barato para as tradicionais cestas e sacos reutilizáveis tem sido um desafio para todos, mas não é só essa a preocupação. 

Mas é aqui que iremos desplastificar.

Non plastic breakfast

 

Então, sacos de papel?

 

Apesar de serem pouco duráveis, o papel decompõe-se mais rapidamente do que o plástico, então é menos provável que seja uma fonte de lixo e represente um risco para os animais como o plástico. É reciclável, enquanto o plástico pode demorar entre 400 a 1000 anos a decompor. 

 

Mas os sacos de papel tem de ser reutilizados 43 vezes para igualar o impacto ecológico, enquanto que os de plástico mais resistente, só precisam de ser usados 8 vezes. 

 

Ai... Estás a sugerir que o plástico é mais rentável para o ambiente que o papel, devido ao facto de ser mais leve, conseguir carregar mais peso, logo usamos mais vezes e precisa de menos energia para ser produzido? 

SIM.

Então e o ambiente? E os animais? E o microplástico já encontrado no estômago de pessoas...?

 

A solução passa por PARAR de consumir. 

 

Precisamos realmente de beber líquidos por palhinhas? Mesmo que substituam por papel, essa só tem apenas uma utilização. Se reutilizarem as de plástico que tem em casa, conseguem contar quantas vezes a irão utilizar? 
E deitar as que tem em casa para comprar de inox ou bambu, não é solução; Não é por desaparecer da vossa vista que irá desaparecer do planeta. 

 

Não podemos ter copos de plástico que já temos, cerâmica ou de vidro? Nunca vi ninguém a reutilizar um copo de papel.

Podemos parar de comprar garrafas de água e deitá-las fora a seguir? Podemos substituí-las por garrafas de vidro ou de inox? O que dá para fazer para reutilizar as garrafas de plástico, depois de reutilizadas mais de 20vezes, quando ganham um sabor estranho...? Várias coisas giras, aposto!...

 

A solução passa por parar de consumir, sim. Se parassemos de produzir embalagens, roupas e outras coisas de raiz... apenas fizessemos reciclagem dos materiais e usassemos o que já foi produzido.. Conseguem imaginar a reutilização que as coisas já produzidas tem?