Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

26 de Abril, 2019

Cores. Colours. Colori.

Monica

Cores. Vamos falar de cores! 

Uma das grandes perguntas quanto ao meu armário cápsula é que cores tenho, e quando divulgo a minha pancada por amarelo e vermelho, toda a gente manda aquele olhar de desaprovação - porque armário colorido não é cápsula. O Pinterest e o Instagram iludem com aqueles armários monocromáticos de 10 peças e já deviamos ter aprendido que armário cápsula tem haver com consciência e não quem tem os 50-tons-de-beje-que-combinam-sempre.

 

Como eu costumo dizer: se tens padrões, vai com isso mesmo! tens cores? Usa e abusa! Não há problema nenhum em usar cores vivas e brilhantes no que toca a um cápsula, agora não vale é mudar o armário todo, de ano para ano, cada vez que a cor pantone muda. 

 

Vamos ser realistas: se usas muito branco, usa. Preto? Sou super fã da Thaís Farage que só usa preto. Amarelo? Olha pra mim!

armário cápsula colorido

Esta é a minha palete de cores, e cada vez que faço a contagem das peças acho sempre que vou conseguir separar cores entre verão e inverno, mas na verdade, não consigo.

planeamento armário cápsula

 

Armário cápsula colorido? Podes, sim!

 

Cada vez que faço contagem das peças que tenho, vem-me sempre à cabeça que uso mais uma cor numa estação do que noutra, mas na verdade, toda a paleta que tenho, é global.

Tenho roupa de verão amarela e tenho roupa de inverno vermelha. E vice versa. Nada impede. Como não tenho nenhuma parte de baixo dessas cores (exceto vestidos), não tenho qualquer problema com a mistura de cores. 

 

E como descobrir a minha paleta?

Já começaste a fazer um cápsula? Já destralhaste? Já tens noção das peças que estão para ficar? Então existem vários passos para descobrires as tuas cores. 

Assim como reparas que tipo de modelagem fica melhor no teu corpo, quais te sentes bem e o que vestes com "aquele mood especial", também decerto já reparaste que cores vestes mais. 

 

Serão as cores indicadas? 

Vê as cores que tens e veste-as. Tira fotos à luz natural e vê o que te realça. Também, dependendo do teu tipo de corpo, percebes onde deves usar a cor ou não: há pessoas que usam branco para realçar o bronze, o rosa para realçar o verde dos olhos e nós não somos diferentes. Existe algo no nosso corpo que gostamos sempre mais e queremos destacar e algo que queremos desviar a atenção. 

Por isso, eu acho que quem quer fazer o cápsula, deve querer primeiro fazer um auto descobrimento de quem é: o que se gosta, o que não se gosta, o que queremos destacar, que posição queremos marcar com as nossas roupas.

 

Blocos de cor ou padrões?

Existe sempre a ideia que não dá para fazer um cápsula se tivermos demasiados padrões. Que é melhor ter uma peça de cor inteira porque é mais fácil mandar um acessório e pronto. 

Mas...

1 - nem a toda a gente fica bem blocos de cor. Dependendo da modelagem da roupa.

2 - nem toda a gente fica bem com padrões.

Não vale a pena fugir de padrões se é isso que se gosta. 

 

Preto não é neutro!!

 

"vou criar o meu armário que vai ser só branco, preto e beje porque são as cores que ficam bem a toda a gente e não falha" - Mentira! O preto não fica bem a toda a gente e nem toda a gente tem humor para usar preto. Eu não consigo usar calças pretas. Tenho 2 tshirts, 1 top, 2 camisolas e 2 vestidos pretos. Mas cada vez que os visto, os ténis vermelhos vem junto, o casaco de outra cor cobre os ombros e tira toda a atenção do preto. 

E desmitificando aquele titulo ali: Preto não é neutro. Neutro vai ser sempre a cor que colocares de base no teu look. Usas sempre calçado e acessórios castanhos? Esse é o teu neutro, a tua cor base. Não vale a pena pensares nos opostos - branco e preto - para construires o teu armário se não é isso que usas. 

Vale?

 

Posso dizer que a minha cor base é sempre o azul escuro. 

Existem mais métodos para ajudar a descobrir a vossa cor. Se precisares de ajuda, é só clicares lá no menu onde diz "queres ter um armário consciente?" que te ajudo em qualquer fase do processo. 

26 de Abril, 2019

Porque o projeto 333 não é para mim

Monica

Venho, de cabeça erguida, explicar a razão porque deixei o projeto 333 ainda na fase inicial. Porque desisti e não continuei a fazê-lo. 

Voltando um pouco atrás, em 2016, quando conheci o conceito de armário cápsula, identifiquei-me totalmente. A roupa era a única coisa que ainda não tinha feito as pazes, não sabia ser minimalista no meu armário como gostava, não fazia ideia do meu estilo, do que gostava, ou não de usar e de como isso estava a afetar a minha carteira. Nada parecia consistente no meu minimalismo, porque o meu armário não refletia quem eu era quando me vestia. 

Depois de 1 ano de pesquisa, percebi que não sabia como criar um, que não era somente um caso de destralhe, que não fazia ideia de como começar e decidi colocar no papel alguns passos e métodos que me ajudaram a compreender como as pessoas chegavam ao próprio estilo e aqueles armários fantásticos, que eu não tinha ideia de como lá chegar. 

Apontei tudo, testei, voltei a rabiscar, apliquei e, mais importante, fiz desafios.

 

O que resultou no primeiro projeto 333

 

Quando fiz o primeiro projeto 333 em 2018, já tinha feito 2 destralhes e já contava com um armário minimalista. Mas ainda havia tanto para aprender. Então, viver durante 3 meses com 33 peças de roupa, foi uma das partes mais importantes da minha relação com o meu armário, porque percebi as combinações que poderia fazer, o que realmente vestia, parar com a "nóia" de dizer que não tenho o que vestir. E tenho de agradecer a esse desafio, tudo o que visto hoje e que mantenho, ou não, no meu armário. 

 

Num desafio há regras, mas não é tudo o que dita o desenrolar do cápsula

 

Estava extremamente entusiasmada com o projeto 333: até porque não iria fazer sozinha, a Cátia do Lady in Green  iniciou o projeto também (a verdade foi ideia dela), a motivação dela arrastou outras tantas pessoas que se identificavam e ia tudo nos conformes. 

Escolhi as peças, fotografei, comecei o desafio. Veio a notícia que o tempo iria mudar, que iria ficar mais frio e comecei a por em causa a minha participação no desafio: ainda que não haja problema nenhum de mudar peças nestas eventualidades, eu sentia-me a trair as regras a mudar e até pensei em adiar uma semana, refazer as minhas escolhas e recomeçar o desafio.

 

Mas, não resultou!

 

Foi demasiado fácil preparar-me para este desafio: consegui escolher peças que eu gostava, vestia muito e ficavam bem entre si, fácil de conjugar. Mas aí percebi que devido ao meu número de peças, que comecei a colocar peças no desafio para chegar ao número 33. Essa parte foi dificil e nunca pensei chegar a um momento em que seria dificil não querer colocar mais roupa num desafio. No último, tinha sofrido com escolhas e trocas antes de fechar e dizer "vou começar agora". 

 

Percebi que afinal, o desafio tinha sido útil quando passava pelo autoconhecimento do armário, mas que agora não fazia o menor sentido porque o meu armário tem praticamente esse número de peças. Então, abandonei o desafio e nas 2 semanas que ainda estive nele, decidi aproveitar o que aprendi e dar luz a esses conhecimentos.

 

Planear e ter uma visão ampla

 

Apesar de ter um armário com cores distintas, visto sempre as mesmas peças e da mesma maneira: o que me venho sempre a contrariar quando me pedem ajuda com o armário cápsula. E apesar do trabalhão que dá fotografar cada peça e colocar na app smart closet, a verdade é que dá uma enorme ajuda quando, aleatoriamente, ele nos monta looks com base nas fotografias que colocamos. 

E aí percebemos que não estamos a tirar o máximo partido da roupa que temos e escolhemos para ser nossa.

 

Armário, armário meu

 

Afinal, Mónica, quantas peças tens no teu armário?

Sempre disse que não era miúda de ter 2 armários: gosto de usar camadas e vestir roupa de verão como "interior" de inverno, apesar de não usar muita roupa de inverno, de verão. Mas a verdade, é que tirando calças e algumas tshirts, o resto do meu armário de verão fica parado de inverno. E desta vez resolvi separar. 

Já vos disse 30 mil vezes que os números não contam para nada, que vestir tudo é o que conta, tendo 30 ou 100 peças, mas não consigo evitar contar as minhas, apesar de não fazer nada com as contas. Já comprei mais algumas peças e não meti na cabeça "não posso comprar mais de x peças", mas a verdade é que há coisas que já não uso tanto, já não são a minha cara e vão saindo. 

Ainda que não concordasse com aquela ideia de que cada coisa que entra outra tem de sair, a verdade é que está a acontecer isso mesmo. Voltamos à contagem? 

contagem armário cápsula

 

Considerei elementos comuns tudo o que uso de verão e de inverno. Tenho um post preparado para vos mostrar cada peça que tenho e falar de cores. 

Não foi caso de preguiça, de falta de tempo, de deixar o cápsula de lado. Foi mesmo uma retrospetiva: repensar qual o verdadeiro sentido de um desafio e quando tem de ser aplicado. 

 

Aconselho totalmente o projeto 333 para quem ainda está a construir o armário, acabou de fazer o primeiro destralhe, ou simplesmente nem sabe por onde começar, ainda que estes conselhos não funcionem com toda a gente; há pessoas que no meio do desafio sentem-se perdidas e "obrigadas" a cumprir e acabam por não tirar partido do que estão verdadeiramente a aprender. 

 

Chegaram a fazer o desafio? O que aprenderam até agora?