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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

22 de Maio, 2019

A moda das culpas

Monica
Existe um grande alarido sobre marcas que comunicam sustentabilidade, comunicam ingredientes e processos dos produtos que não são verdadeiros, mostram fotos de trabalhadores nas fábricas, que nos soa a uma boa transparência, mas depois vem a público as más condições de trabalho, a pressão que os trabalhadores sofrem e outras coisas negativas a nível de tratamento humano que chega a ser inacreditável. Se for um caso de greenwashing, por exemplo, que é a utilização de virtudes ambientalistas, os consumidores culpam o marketing, mas se for caso de desrespeito pelos direitos humanos, os consumidores atacam diretamente a marca.

 

Quando os consumidores atacam o Marketing, atacam "indiretamente" a marca, mas quem fica com as feridas são os profissionais de marketing, que muitas vezes sofrem das mesmas más condições que os trabalhadores fabris;

 

As pessoas, formadas na área, querem fazer o seu trabalho, mas também precisam do seu sustento. Mesmo com qualificações superiores, se o nosso chefe diz para comunicar de certa maneira, quem somos nós para discordar? Afinal, somos todos substituiveis. 

 

Vou fazer aqui um à parte: Sei que existem profissionais que não comunicam de maneira "limpa", são agressivos principalmente em vendas e mal educados. Mas todos representamos "alguém". Atrás existe sempre uma marca e um superior que tem de responder pelos atos dessa pessoa, senão, que lhe dê a formação indicada para desempenhar a sua função como deve ser. 

 

Eu acredito que o Marketing e toda a comunicação que se faz é necessária, mas da maneira correta e sem invadir o espaço de ninguém. Quem sabe a minha história em termos de formação, sabe que nem sempre foi o meu pensamento (nem sempre acreditei no marketing) e o meu ponto de vista alterou completamente, no momento em que terminei o primeiro ano de licenciatura. Nem vos falo depois do mestrado. 

 

 

Mas voltando ao ponto, toda a gente sabe o que se passa nos seus próprios departamentos. 

O marketing não é diferente. 

Há pessoas que gostam da área, podem não gostar da maneira que o fazem, mas ainda assim precisam de levar para casa um sustento.

 

Como todos, seja de que área for. 

 

O marketing só é pior, porque o consumidor arca as culpas no marketing, a empresa sai ilesa e quem se f*de são os profissionais. 

 

Sou muito incomodada nestes assuntos, porque nem todos somos farinha do mesmo saco e uma das coisas que me chateia imenso, é que os profissionais de marketing tiram uma formação como qualquer outra pessoa de qualquer área para exercer, são mal pagos, as empresas desvalorizam a área, o consumidor desvaloriza os profissionais e depois há pessoas que dizem: "marketing? fiz um curso agora na net. Eu faço isso." 

 

Se tiverem uma dor, vão ao médico. Eu já tive dores e curei-as em casa. Posso aconselhar as pessoas em termos de medicina? NÃO.

 

Eu faço o meu IRS pela net há anos, sem precisar de um contabilista. Posso aconselhar sobre contas e cuidar da contabilidade de uma pessoa/empresa? NÃO.

 

Eu até sei conduzir vários tipos de veículos, fui da força aérea e tudo, já fiz simuladores de voos, posso ser piloto? NÃO. 

 

 

Então, "fazer marketing" nos tempos livres não é uma opção, a não ser que seja devidamente formado para tal. Não digo que não há cursos online que sejam bons. Mas uma pessoa que seja utilizador constante de várias redes sociais, não está apto a geri-las profissionalmente. Não sabe gerir anúncios, ler métricas, analisá-las e criar uma estratégia de acordo com a área de atuação da empresa/negócio local, localização e público alvo.

 

Poupem-me.

 

Sei que é difícil mudar a roda em que as empresas estão inseridas (capitalismo), mas o consumidor tem influência, sim. 

 

E são eles que muitas vezes dão mau nome e criam as condições de trabalho precárias que algumas áreas tem. 

 

Para além de haver funções distintas, existem várias áreas dentro do marketing. Mas isto fica para outra conversa se vos interessar.