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Almas velhas

Slow living, tal como a vida deve ser, com base na vivência com um marinheiro, uma saudosa alma velha que mudou a minha.

02 de Abril, 2019

Armário Cápsula ou Armário Consciente?

Monica

Com esta história do projeto 333, muitas pessoas vieram perguntar-me o que era o desafio, e outras quiseram saber mais sobre o armário cápsula. Então, decidi partilhar a metodologia que criei quando estava a tentar criar o meu armário, e para além de vos ensinar tudo o que testei e funcionou comigo (e + 3 cobaias), vou também acompanhar-vos durante o processo, nas vossas incertezas, certezas e dúvidas. 

Mas...
Vamos esclarecer aqui alguns conceitos:

Quando eu falo de armário cápsula, não falo em reduzirem o vosso armário em duas gavetas. As pessoas criaram os conceitos e, para mim, um armário cápsula é um armário que tem apenas aquilo que gostamos e realmente usamos. Eu posso ter 70 peças como 250 e desde que use tudo, que é o objetivo aqui, está tudo bem. 

 

Então, mas isso já não é assim tão cápsula...250 peças?

 

Então, vamos reformular os conceitos. Talvez cápsula não seja o termo ideal. Quando surgiu e me revi nesta maravilha, a única maneira de encontrar informação era por armário cápsula ou capsule wardrobe (em inglês). Claro que assim como para alguns minimalistas, o ideal é livraste-te de tudo e ficares só com um colchão no chão, para mim, ser minimalista é não ter coisas que não preciso/não gosto a criarem ruído. Então, é exatamente isso que é o cápsula para mim: um armário, onde tenho tudo o que gosto e preciso, não tenho nada a fazer ruído porque uso tudo. 

 

Então decidi mudar o termo do armário cápsula, para armário consciente. Parece-me mais adequado. Mesmo que seja um capsulazinho, com 20 peças. 

Tens outro conceito? Diz-me qual. Na verdade, o nome é só para ficar ali em cima e as pessoas se puderem identificar e aderirem. A maior sustentabilidade começa nas nossas casas e a industria têxtil é a maior causadora de resíduos e produção de químicos.

 

Slow conscious living & conscious wardrobe

 

Eu falo de slow living porque é aquilo que pratico. Ter tempo para tudo, olhar, sentir, saborear com calma. Já mudei a minha alimentação nesse sentido, já mudei a minha localização, os meus hábitos e no meio disto, vocês perguntam: "Não percebo, que fazes, afinal?"

Tenho tudo o que é importante planeado, como todas as pessoas. Mas o meu lado minimalista, tem consciência que se existe algo que posso arrumar já e demora 1 minuto, não vou deixar esse minuto ser adiado para depois. Faço logo e sigo para a próxima tarefa. Levantar com tempo para tomar o pequeno-almoço, usufruir de 10minutos de sol antes de almoço, tomar refeições sem coisas eletrónicas, aproveitar a companhia das pessoas, criar conversas, colocar música em vez de ligar a televisão, jantar em silêncio, meditar, estar mais em contacto com o exterior (seja bicicleta, patins ou o que seja), ter a noção de como o meu corpo se comporta com certos alimentos, foram coisas que mudei para viver mais calmamente. 

 

E deixem que vos diga, dá para fazer tudo na mesma, mesmo com mais calma. 

 

Descobrir os gatilhos

 

Voltando aos nossos armários, agora conscientes, uma das perguntas mais habituais é: como destralhar ou conseguir não comprar?

Eu entro em lojas, faço compras com o namorado, com a amiga, com a tia e não é nada de outro mundo. Fomos ensinados que comprar é uma terapia, algo que nos preenche um vazio de outra coisa, algo que nos satisfaz. Mas depois gastamos o dinheiro e fica lá, a pairar. O problema desapareceu, mas também o dinheiro e o espaço no armário. Então, o slow living vai ajudar-te nisso também: a ter consciência do que precisas, do que gostas e, principalmente, do que não gostas, para não andares com uma lista de "pode/não pode comprar", cada vez que entrares numa loja.

 

Listas

 

Coisas maravilhosas, as listas. Ajudam-nos a lembrar do que precisamos. Eu tenho uma lista de roupa/calçado que gostava de ter. Mas não é nada que precise. Se vir algo que goste e esteja na lista, reúno novamente a minha consciência, senso comum e a carteira e vemos todos se estamos de acordo. É preciso algum auto conhecimento, para ter uma discussão interna entre a razão e o consumismo. 

As listas podem ajudar a lembrar qual o propósito de cada peça que lá está, mas não se prendam a uma lista para controlar impulsos consumistas. Tem de perceber qual é o gatilho que desencadeia essa vontade de comprar.

 

Há alguns temas sobre slow living que irei abordar aqui em breve. Se quiserem que escreva sobre algo ainda mais especifico, let me know.

 

Digo isto, estamos de acordo quando ao armário consciente?

 

Não interessa quantas peças tem, ou cores, a minha regra é usar tudo. Pode haver opiniões diferentes, é normal, mas é apenas um conceito. Não se prendam a regras de um conceito quando o que precisam é de um limite ou objetivo.

 

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